Ele apareceu em um dia da qual eu não estava esperando, não estava procurando, não estava interessada. E então quando me esbarrei com aquela jaqueta de couro preta, a pálpebra indicando minha indelicadeza com o momento, fui seguindo meus olhos por aquele corpo quente, seu queixo desenhado, e seus lábios finos avermelhados, o nariz arrebitado, parei e me perdi dentro dos seus olhos, aqueles olhos azuis da mesma cor do céu limpo quando se está num dia quente, fiquei ali parada, olhando no fundo das suas pupilas claras. Seus olhos fixaram nos meus da mesma forma que os meus se perderam nos dele, permanecemos ali alguns segundos parados, fiquei admirando os traços do seu rosto, e os seus cabelos macios, loiros claros com mechas loiras escuras. Ele estava lindo, ele era lindo, aliás; ele ainda é.
Ele tem uma expressão séria, rigorosa, olhos profundos, ombros grandes; mas quando ele sorri, estremece minha pessoalidade, irradia meu coração de encantos. Sua mãos me acalentam, seus braços me adormecem, seu abraço me protege na noite, durmo tranquila ao seu lado, durmo como se mais nada existisse no mundo. Meus problemas desaparecem quando minha boca toca seus lábios tenros, quando meu nariz rosna com os seu, quando meus braços ficam envolta do seu corpo, quando seu peitoral encosta em mim. O seu calor aquece minha alma, perturba meus batimentos,palpita meu coração, me traz afinidade, me alegra, me acalma. Me perco e me acho ao seu lado.