Esse texto é, na verdade, um apelo desesperado. Queria implorar de
joelhos, pra que vocês, homens desse Brasil, não sejam cãezinhos
medrosos, com o rabo entre as pernas. Querendo comer tudo que avistam
pela frente, latindo alto, mas fazendo xixi de medo na primeira
demonstração de afeto do outro. Afeto é um laço, um laço é uma coisa
bonita e completamente diferente de um nó. Laços não sufocam, laços não
aprisionam, muito menos alteram status de relacionamento. Seguindo com o
meu apelo: peço isso encarecidamente,
porque esse bloqueio emocional radical de vocês me bloqueia e me faz
sentir ridícula. Mesmo que eu não esteja conduzindo as coisas pra um
namoro feliz e cheio de planos. Mesmo que eu esteja exatamente na mesma
intenção e sintonia descompromissada, nunca sei até onde ir ou falar,
pra não ver ninguém saindo correndo, assustado. Queria deixar claro que
um momento íntimo não precisa acontecer num ambiente intimista. A gente
pode se apaixonar loucamente numa boate e ter um encontro completamente
indiferente no cinema. Avançar do nível pegação aleatória pelas noites
da vida não significa um noivado. Jantar é maravilhoso e conversar num
lugar tranquilo também, juro. Um programa a dois sempre será um bom
programa a dois e isso não é um namoro. Agora que tudo foi devidamente
esclarecido, eu espero que vocês consigam molhar mais os pés no mar. Não
precisa mergulhar não. Precisa nadar pro fundo não. Só revê todo esse
lance de bloqueio. Ok, se bloqueia pra relacionamentos sérios e
duradouros, mas tenta se abrir pra vida, que é pra vida não se bloquear
pra você.
Marcella Fernanda
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