segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ela passa as mãos pelas minhas costas, delicadamente e carinhosamente, acaricia meus cabelos, sinto conforto com a cabeça em seu colo, choro silenciosamente, conto minha angustia, demonstro meu desgosto pela situação, falo amargamente o quanto necessito ficar melhor, tento dizer que doí, tenho impressão que nunca irá passar, repito que estou cansada, que enjoei de tudo aquilo, que precisa acabar. Ela ri calmamente e diz que entende, que também está cansada, mas amanhã é outro dia, e então a gente levanta novamente e faz tudo de novo e consegue mais uma vez, e chega e cansa, e depois faz de novo e aguenta mais uma vez. Ela confessa que dói, que toda hora é uma eternidade, mas existe aqueles momentos, as vezes duram menos de um minuto, mas nos revive, tem aqueles sorrisos verdadeiros, existem os amores sinceros; curtos, longos; de amizade, de paixão, por quem ou por qualquer coisa que seja; as pequenas alegrias dos nossos dias, das nossas horas passadas que ficam guardados, que fazem valer a pena, ela me diz: "viva isso, lembre-se disso, pense nisso, relembre e sorria, faça ser intenso cada detalhe, senão minha filha, minha amada filha; a gente não aguenta e nos sufoca e vamos envelhecendo nossa alma antes do tempo, senão nos despedaçamos aos poucos até sobrar mais nada. A vida é assim minha filha, a gente se levanta todos os dias e nossa força mesmo parecendo que não é o suficiente, sempre é, porque essa força vem Dele, e Ele te sustenta. Então chore, hoje você chora, dorme e amanhã começa tudo de novo"

D.Luise
Esse texto é, na verdade, um apelo desesperado. Queria implorar de joelhos, pra que vocês, homens desse Brasil, não sejam cãezinhos medrosos, com o rabo entre as pernas. Querendo comer tudo que avistam pela frente, latindo alto, mas fazendo xixi de medo na primeira demonstração de afeto do outro. Afeto é um laço, um laço é uma coisa bonita e completamente diferente de um nó. Laços não sufocam, laços não aprisionam, muito menos alteram status de relacionamento. Seguindo com o meu apelo: peço isso encarecidamente, porque esse bloqueio emocional radical de vocês me bloqueia e me faz sentir ridícula. Mesmo que eu não esteja conduzindo as coisas pra um namoro feliz e cheio de planos. Mesmo que eu esteja exatamente na mesma intenção e sintonia descompromissada, nunca sei até onde ir ou falar, pra não ver ninguém saindo correndo, assustado. Queria deixar claro que um momento íntimo não precisa acontecer num ambiente intimista. A gente pode se apaixonar loucamente numa boate e ter um encontro completamente indiferente no cinema. Avançar do nível pegação aleatória pelas noites da vida não significa um noivado. Jantar é maravilhoso e conversar num lugar tranquilo também, juro. Um programa a dois sempre será um bom programa a dois e isso não é um namoro. Agora que tudo foi devidamente esclarecido, eu espero que vocês consigam molhar mais os pés no mar. Não precisa mergulhar não. Precisa nadar pro fundo não. Só revê todo esse lance de bloqueio. Ok, se bloqueia pra relacionamentos sérios e duradouros, mas tenta se abrir pra vida, que é pra vida não se bloquear pra você.


Marcella Fernanda

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ele tá estranho,
seu tom de voz mudou.
O que antes era doce,
amargo se tornou.


~Duddy P.
Eu acordei e era um dia comum, nada acontecerá, nada de ruim e nada de bom. Mas havia algo estranho no ar que eu respirava, havia algo estranho na esfera que eu fazia parte, minha voz estava rouca, não tinha o mesmo som, não sentia o mesmo tom. Minha respiração abafada, parecia sair com dificuldade, senti meu peito tão apertado, meu coração doente. Estranho, tudo estranho... assim que eu me sentia neste dia escuro, sem vida, sem sentido dentro de mim, um dia desnecessário, da qual eu poderia não ter acordado. Era um daqueles dias que parece que você sente todas as dores passadas caminhando na sua frente como em uma tela abstrata de sentimentos perdidos. Quero dormir e me apagar até o dia terminar, porém não o faço, não posso fazê-lo; então levanto em meio a tropeços, lavo o rosto, esfrego os olhos e caminho, ando por meio da situação, ao lado das pessoas, como se nada existisse, como se eu não permanecesse ali. Acontece as vezes sabe, acordar e dormir diante da falta de vontade de prosseguir. Mas é apenas um daqueles dias estranhos que parecem não fazer parte dos dias que ainda estão por vir.

D.Luise

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ele apareceu em um dia da qual eu não estava esperando, não estava procurando, não estava interessada. E então quando me esbarrei com aquela jaqueta de couro preta, a pálpebra indicando minha indelicadeza com o momento, fui seguindo meus olhos por aquele corpo quente, seu queixo desenhado, e seus lábios finos avermelhados, o nariz arrebitado, parei e me perdi dentro dos seus olhos, aqueles olhos azuis da mesma cor do céu limpo quando se está num dia quente, fiquei ali parada, olhando no fundo das suas pupilas claras. Seus olhos fixaram nos meus da mesma forma que os meus se perderam nos dele, permanecemos ali alguns segundos parados, fiquei admirando os traços do seu rosto, e os seus cabelos macios, loiros claros com mechas loiras escuras. Ele estava lindo, ele era lindo, aliás; ele ainda é.
Ele tem uma expressão séria, rigorosa, olhos profundos, ombros grandes; mas quando ele sorri, estremece minha pessoalidade, irradia meu coração de encantos. Sua mãos me acalentam, seus braços me adormecem, seu abraço me protege na noite, durmo tranquila ao seu lado, durmo como se mais nada existisse no mundo. Meus problemas desaparecem quando minha boca toca seus lábios tenros, quando meu nariz rosna com os seu, quando meus braços ficam envolta do seu corpo, quando seu peitoral encosta em mim. O seu calor aquece minha alma, perturba meus batimentos,palpita meu coração, me traz afinidade, me alegra, me acalma. Me perco e me acho ao seu lado.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso.


A culpa é das estrelas - John Green

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Meu coração passava em transe do frio para o congelado, batia lentamente mesmo havendo qualquer intensidade nos detalhes por onde minha vida percorria, neste caminho ele trombou com algo, ou melhor, com alguém da qual não fazia ideia que tornaria tudo tão fresco e quente dentro do sangue latente viajando pelas minhas veias e artérias. Rapidamente, em questão de segundos a temperatura irradiou meu corpo, esquentou minha alma, ferveu meu corpo arrepiando minha pele, tudo fervilhou de sentimentos desconhecidos quando meus olhos fixaram nas suas pupilas escuras que conquistaram reabrindo as portas do meu coração. Ali eu apenas consegui sentir que queria me ceder à ele durante todos os segundos dos meus dias até que eles não existam mais.

D.Luise